terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um dia de merda

O que é um peido para quem está todo cagado?

A expressão do título é conhecida de todos, mas o texto que a originou é menos. É um texto de Luis Fernando Veríssimo incluído na obra Veríssima que ele fez numa viagem para Miami.



'Aeroporto Santos Dumont , 15:30..


Senti um pequeno mal-estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse.


Mas,atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas. Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão.'Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo, o avião só sairía às 16:30'.


Entrando no ônibus, sem sanitários. Senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto.


Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil falei:


'Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro.'


'Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda.'


O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: 'Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará em torno de 1hora, devido a obras na pista.


'Aí o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo'. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação ânus a qualquer momento. Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro.


O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV, mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada , mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele.. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado. Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor.


Daqueles que dá vontade de ligar pros amigos e parentes e convidá-los a apreciar na privada.


Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal.


Mas sem dúvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de piedade, e confessei sério:


'Cara, caguei!'


Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle.


'Que se dane, me limpo no aeroporto', pensei.


'Pior que isso não fico'.


Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte.


Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que é lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calças, meias e pés.


E mais uma cólica anunciando mais merda, agora líqüida, das que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo a liberdade.. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar. Afinal de contas, o que era um peidinho para quem já estava todo cagado...


Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez. Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tirá-lo levou metade dos pêlos do rabo junto. Mas era tarde demais para tal artifício absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.


Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas. Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei falta de papel higiênico em todos os cinco.


Olhei para cima e blasfemei: 'Agora chega, né?'


Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que concluí como sendo o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia.


Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o 'check-in' e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte.. 'Ele tinha despachado a mala com roupas'.


Na mala de mão só tinha um pulôver de gola 'V'.


A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus.


Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis. Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era história.
As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda . Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10.

Teria que improvisar. A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar. Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e
mergulhei a parte atingida na água. Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar.


Saí do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão

de embarque trajando sapatos sem meias, as calças do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola 'V', sem camisa. Mas caminhava com a dignidade de um lorde.


Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o 'RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO' e atravessei todo o corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria.


A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo.


Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir:


'Nada, obrigado..'


Eu só queria esquecer este dia de merda. Um dia de merda...


* Luis Fernando Veríssimo* (verídico).


Em homenagem a todos os últimos dias da minhas vida... dias de merda!
Odeio pessoas que não têm palavra...
Pessoas que se vangloriam de serem amigas... que dizem que não furariam o olho de uma amiga...
Acho eu então que não era sua amiga... mas... se não era sua amiga, porque você me chama de mãe?
Achava que era por ter um carinho especial por mim... uma consideração maior... achava que você não me magoaria assim dessa forma... mas você me chateou mais do que muitas pessoas em toda minha vida... você não é mais digna de me chamar de mãe... nem de ter minha confiança, minhas lágrimas, meus lamentos... a partir de agora, você é uma conhecida qualquer que não faz mais falta na minha vida!
Desculpe.. mas eu sou assim.. e minha confiança só se perde uma vez! Você perdeu... Acho que é mal de nome... cedo ou tarde... todas as Marinas saem da vida vida deixando nada mais que uma boa lembrança perdida entre uma mágoa enorme!

domingo, 9 de agosto de 2009

RANDOM!!!

acho que vou destruir esse blog!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Esperarei por ti

Soluçarei baixinho, muito baixinho.
Não ouvirás sequer meu lamento de dor, de solidão.
Terei as mãos frias, mas será da neblina que cai lá fora.
_Mas não me olhes comovida!
_Não tenhas pena de mim!
Dirás adeus e irás depressa, depressa, sem te voltares mais.
Eu ficarei olhando pra frente, para o teu vulto alto, depois para a estrada longa, deserta.
E ficarei olhando sempre... Sempre...
Virá a primavera, depois. E as árvores esverdearão o parque inteiro, fantasiando-o e enchendo-o de luz.
Chegará o verão. E o fenômeno da vida gritará vibrante, e a energia calorífica subirá, na ardência de construir e aniquilar.
E quando vier o outono, olharei as árvores, cansadas, despindo-se lentamente, e o vento, mau, zunindo no ar pesado e escuro.
Depois, voltará o inverno, outra vez.
O inverno, que te levou de mim. E olharei ainda a estrada deserta, branca, longínqua.
Virás por ela. Será numa tarde fria, mas haverá luz e o céu estará azul, parado. Tranqüilo.
E chegarás, de mansinho, pensando surpreender-me. Mas sorriras, desapontada. Estarei esperando por ti.
Terei as mãos frias, frias, mas será da neblina que cai lá fora.
E soluçarei outra vez, baixinho, baixinho, apertando-te nos meus braços, aconchegando-te ternamente ao meu coração cansado de te esperar!

Raquel Passarelli
Maio/2009
Para Dani

terça-feira, 30 de junho de 2009

O DEPOIS...

_E depois?
_ O depois não sabemos se existe. E, se existe, ignoramos como seja. É desconhecido, não nos interessa.
_ Eu também era desconhecida, como tu o eras também, no entanto...
_No entanto...
_Amei-te sem querer...
_E sem querer amei-te. Mas, nós tínhamos o nosso encontro marcado naquela encruzilhada da vida. Tu não poderias faltar, porque o tempo te conduziria, com sua marcha infalível, certa. E o destino ia à tua frente, para que não errasses o caminho...
_Eu sei. E tu, também, com certeza, não poderias deixar de estar ali, à minha espera...
_Sim, para que não passasses além. Se eu não chegasse a tempo, depois... Quem sabe?... Talvez não te alcançasse mais...
_Viria outra, pelo mesmo caminho em que vim, e a chegada dela coincidiria com a tua. E havias de pensar que a outra fosse eu, enquanto, alem, já bem distante, eu seguiria pensando que o outro fosse tu...
_Impossível...
_Não. Muito lógico. O destino não existe. O nosso encontro foi um acidente sem motivo e sem importância...
_Querida...
_Deixemos de sentimentalismos... Não sejamos românticos... Fantasistas...
_Mas tu choras...
_Não... é a luz do sol... nos meus olhos...
_Do sol? O sol está morrendo, lá longe... É quase noite, querida!
_E por que não partes? Por que não segues o teu caminho? É preciso que vás... é quase noite...
_Sim, mas tu vais comigo. Agora, eu já não posso continuar sem ti...
_Eu preciso ficar. Eu sei que, além, na outra encruzilhada, o ‘depois’ te aguarda uma surpresa... Eu ‘a’ vi passar... Ia depressa, risonha, feliz, pensando que já estavas impaciente, à espera ‘dela’... Vai. Não te demores.

Ele ficou inquieto, aflito, olhou o caminho que seguia direito como o próprio destino. Lá longe, pareceu-lhe distinguir uma figura... Quase uma ilusão. Depois, beijou as mãos frias que estavam presas às suas, e perguntou, sem olhar os olhas dela:

_Tu mandas... Eu vou. Mas... E depois?

Ela quis sorrir e lhe dizer, sorrindo que o depois não existe; mas preferia que ele partisse alegre, e lhe deixasse na lembrança, um pouco da alegria que ele não sabia disfarçar...
E falou:

_Depois... Eu ficarei com a tua lembrança, querido; e a presença ‘dela’ te ajudará a esquecer a minha... Olha o céu!
_Está escuro... E as estrelas... São estrelas ou são lágrimas. Brilhando lá no alto?

Mas ela num último esforço:

_São as luzes da tua festa. Vai!

Ele partiu...
E a sombra caridosa da noite, cobriu, com o mesmo manto enfeitado de estrelas, a vitória e a derrota, a tristeza e a alegria.
Do silêncio solene que reinava, saíram, de vez em quando, risos de felicidade e soluços de... Felicidade também. Porque a abnegação é um dos retratos da felicidade.



Texto que ilustra o amor na sua forma mais pura. O amor que é tão vivo, tão forte, tão real e verdadeiro que faz com que abra mão do seu amado, deixando que outra o ame e seja amada por ele. E sofre calada, chora sorrindo e sorri de tanta dor, sabendo que mesmo amando o outro como ou mais que a si própria, ele só pode ser plenamente feliz, nos braços de outrem.
Pela felicidade da pessoa amada, abro mão do meu amor, permitindo que ela seja amada, desejada e acariciada por outras mãos, corpo e mente. Optei pelo peso da solidão sabendo que minha amada não está caminhando sozinha. Recolho-me e finjo nada sentir para que diante dela meu verdadeiro ‘eu’ não a faça me abandonar mais uma vez.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Anseios de uma obsessão

Gostaria que seu corpo inflamasse
Como o meu, e o sentisse dolorido.
Tão profundo, que visse o osso descolorido.
Como se apanhasse de um chicote que não visse.
E que sentisse esta Dor escura
Cegando tua vista como uma navalha afiada,
E sentisse na cabeça o peso de uma enxada.
E de fora escutasse teu estômago em fervura.
E se visse acordada na maca de um legista,
E que esta Dor ora fosse um rato, ora uma vela,
Que queimasse e mordesse com raiva tua canela.
E que todos a olhassem como uma vigarista.
E ao espelho vomitasse por teu próprio rosto,
Pálida e doente. Sem unhas sobre os dedos.
E esta Dor te convencesse de todos teus medos,
E desta vida e dos teus dias não tivesse mais gosto.
E se visse urinando pelo chão como uma demente,
E sentisse tua lividez chegando ainda moribunda.
Fosse julgada pecadora e delas fosse a mais imunda,
Amarrada e forçada a comer sem ter ao menos um dente.
E que assistisse teu profundo coma de uma poltrona fútil
Viva, desenganada e vencida por esta Dor carrasca.
E inalasse o próprio cheiro podre da tua casca.
E como eu, se sentisse uma alma descrente e inútil.
Rastejando pelo chão como um lagarto,
Sem perna, cega e por esta Dor, muda.
E como se há dez anos sentisse dor de parto.
Gritando à Morte, sem que ela escutasse.
Mas o que penso? Meu Deus. Gostaria...
Que das maiores torturas, me amasse!!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Procura-se

Procura-se desesperadamente um alguém. Não a pessoa que vejo hoje, mas aquela em cujos olhos eu podia ver os meus refletidos. Não essa que magoa com palavras, mas aquela em cuja boca escorria mel em forma de versos emocionantes. Aquela que mostrava sorrisos, aquela que me queria presente...
Procura-se desesperadamente por aquela que roubou meu coração. Não que eu o queira de volta, mas para pedir que você trate-o bem.


ficou totalmente infantil... mas talvez isso seja bom... ser criança é ver o mundo com novos olhos.